Nostalgia
Hoje eu despertei, após um sonho, ainda pela madrugada (o céu estava vermelho acredite) com uma sensação estranha, um misto de felicidade, coisas boas e sentimento de perda. Indagador que sou, preferencialmente a coisas relacionadas a humor e estado de espírito, ainda na cama pôs-me a analisar o motivo de tão confuso sentimento.
Eu estava sonhando viver um momento de minha vida que há tempos deixou ser, mas a intensidade de sonhar é tão forte que a utopia logo se confunde com a realidade por mais absurda que seja. O sonho era confuso eram misturados fatos com impossibilidades e pessoas que já partiram, mas foi o suficiente para deixar as lembranças daquela época tão frescas como se eu as tivesse vivendo atualmente. Perdi imediatamente o sono.
Deveras. As lembranças quando assaltam sua mente são capazes de te lançar em uma espécie de limbo, um êxtase, surge recordações de pessoas que hoje estão distantes, músicas que já não tocam mais com tanta freqüência, e o pior, quanto mais bonita, divertida e especial é a recordação, mais forte se torna o sentimento de perda, pois você claramente sabe que aquele tempo jamais retornará.
Mas se são lembranças boas, porque esse sentimento horrível de perda? Eis a questão que surgiu na minha mente, e novamente, eu o indagador fui à procura da resposta.
Percebi que nem todas as lembranças eram fatos relevantes, desta forma tornou-se relativamente fácil compreender que o que causava todo aquele sentimento forte e confuso era o desejo de revivê-lo. A felicidade era gerada pelos momentos importantes vividos, a tristeza por sua vez vinha pela compreensão de que tudo aquilo não tornará mais a existir. Daí implacavelmente surge à vontade de trazer a existência tudo aquilo de novo, por um instante esquecemos (ou não sabemos) que o que vivemos hoje certamente causará o mesmo efeito de nostalgia amanhã. Nada importa, parece que a dor somente passará se de alguma forma pudermos trazer estas lembranças de volta a realidade.
É quando por fim traçamos um paralelo com o tempo jazido em nossas lembranças e a intrépida realidade. Tratamos imediatamente de analisar: Como estão as pessoas daquela época nos dias de hoje? E os lugares freqüentados? E as músicas, as gírias as brincadeiras... Passou. As pessoas mudaram, as músicas saíram das paradas de sucessos, a gírias se tornaram antiquadas e a mais pura verdade é que tudo isso já não existe mais.
Até mesmo as pessoas, em relação a elas você gostaria francamente (e desnecessariamente) que tudo voltasse a ser como antes. Porém, a realidade é que, até mesmo estas pessoas que habitam suas lembranças não existem mais. Pode ainda ser uma amiga próxima, ou aquele amigo que se casou e está distante, não importa. Da forma como estão nas suas lembranças, eles não são mais e não há nada que você possa fazer.
Daí surge à explicação do porque desse sentimento tão misto e confuso, onde você não sabe se está feliz ou triste, apenas sabe que está emotivo.
Assim tive que concluir toda a minha análise com uma auto-recomendação totalmente respaldada pela lógica, e concluí que isso é um ciclo vicioso e episódios que vivo hoje, sejam eles bons ou ruins, certamente me lançaram no futuro em um profundo sentimento de nostalgia, e quando no futuro eu novamente acordar pela madrugada depois de um sonho confuso vou descobrir que até mesmo eu já não sou mais a mesma pessoa.
Felipe de Paula Martins. 29/03/2011

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