segunda-feira, 17 de agosto de 2015

MENINOS E MENINAS



A atração entre homens e mulheres é um tema complicado. Quantas questões mal entendidas escoam deste verdadeiro conflito? Paixões? Opressão machista? Movimento feminista? Crises de ciúmes, depressões, promiscuidades e solidão. Por que lidar com o amor e o desejo é tão complicado?  

Vamos dividir o comportamento humano em duas vertentes; emocional e racional. Não é difícil sintetizar. O comportamento derivado da lógica e da frieza intelectual nós iremos tratar como racional. Já o comportamento proveniente dos sentimentos e das manifestações instintivas, trataremos como emocional. Obviamente, para o ser humano, estes valores são intrínsecos e se influenciam mutuamente. Contudo, é possível identificar as origens dos nossos comportamentos, que terão estes dois valores por origem.

O amor, desejo e atração entre homens e mulheres é um comportamento emocional, instintivo, animalesco e de caráter evolutivo. E assemelha-se mais à um conflito do que uma união. Isto porque, na relação homem-mulher a memória biológica de ambos visará primeiramente as possibilidades de vantagens. Isso mesmo, a relação de gênero é na verdade uma busca de interesse próprio, começando por querer livrar-se da solidão. Biologicamente, o homem segue o padrão dos gêneros ativos da natureza, que tem como objetivo espalhar ao máximo a sua semente entre indivíduos do gênero receptivo, como por exemplo, a semente do Dente-de-Leão. Da mesma forma, a mulher segue o padrão dos gêneros passivos, e tem por objetivo assegurar a segurança de sua prole e a sua própria também.

Daí vem a resposta para a grande aflição de apaixonados do mundo inteiro, pois a espécie humana atingiu um grau de desenvolvimento em que busca racionalizar quase todas as questões, e isto se torna um problema quando se trata do amor. Pois o amor é instinto, busca interesses e faz parte da memória evolutiva de todas as espécies, inclusive a nossa. Evolutivamente, para o ser humano, o sexo oposto é útil. E pense bem, tudo aquilo que traz utilidade, não carrega o valor final em si mesmo. Assim como um curso preparatório (útil) que lhe prepara para o emprego (finalidade).

É comum criticar o comportamento de mulheres que preferem o homem que se destaca e que possui poder financeiro, fama ou qualquer valor que lhe agregue status e poder. Mas a mulher não o faz por mero interesse, trata-se de sua inclinação evolutiva que a faz buscar o macho que garantirá segurança para si e para sua prole. Esta segurança apresenta-se simbolizada virtualmente na aparente força masculina, sob vários aspectos, desde o financeiro, emocional e até mesmo físico. Estas mesmas mulheres também criticam o homem por sua necessidade de relacionar-se com diversas mulheres, pois para a mulher é um absurdo a maneira como o homem consegue lidar com a relação sexual. Não precisa haver um passado romântico, nem mesmo conhecimento prévio, o caráter é praticamente deixado para segundo plano. Apenas o sexo importa. Esta divergência e crítica mútua provém da crença errônea de que ambos, isto é, homens e mulheres emocionam-se, atraem-se e excitam-se de maneira semelhante. Por exemplo, uma jovem que se apaixona, imagina que os mesmos fatores que despertaram sua paixão poderão despertar a paixão no homem, e vice versa. Isto é um erro. Se os gêneros buscam interesses distintos, observarão aspectos distintos.

Porém, o grande fato é que se toda esta atração é um proveniente instintivo, não será um caso inédito a supressão de certas inclinações instintivas indesejadas. O ser humano vem fazendo isso ao longo de muitos anos para poder viver socialmente. É só pesquisar sobre o conceito de neurose na psicanálise.

Muitos poderão achar esta postagem racionalista por demais, bem como fria e sem o brilho emocional que a sociedade ensina aos indivíduos, por meio do amor platônico, representado em filmes e músicas, fazendo-nos acreditar que tudo é um verdadeiro conto de fadas. Mas poderá ser um conto de fadas. Quando duas pessoas, por fim, superar os interesses instintivos e passar a enxergar no consorte a grande finalidade de sua vida.

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