A atração entre homens e mulheres
é um tema complicado. Quantas questões mal entendidas escoam deste verdadeiro
conflito? Paixões? Opressão machista? Movimento feminista? Crises de ciúmes,
depressões, promiscuidades e solidão. Por que lidar com o amor e o desejo é tão
complicado?
Vamos dividir o comportamento
humano em duas vertentes; emocional e racional. Não é difícil sintetizar. O
comportamento derivado da lógica e da frieza intelectual nós iremos tratar como
racional. Já o comportamento proveniente dos sentimentos e das manifestações
instintivas, trataremos como emocional. Obviamente, para o ser humano, estes
valores são intrínsecos e se influenciam mutuamente. Contudo, é possível
identificar as origens dos nossos comportamentos, que terão estes dois valores
por origem.
O amor, desejo e atração entre
homens e mulheres é um comportamento emocional, instintivo, animalesco e de caráter
evolutivo. E assemelha-se mais à um conflito do que uma união. Isto porque, na
relação homem-mulher a memória biológica de ambos visará primeiramente as
possibilidades de vantagens. Isso mesmo, a relação de gênero é na verdade uma busca
de interesse próprio, começando por querer livrar-se da solidão. Biologicamente,
o homem segue o padrão dos gêneros ativos da natureza, que tem como objetivo
espalhar ao máximo a sua semente entre indivíduos do gênero receptivo, como por
exemplo, a semente do Dente-de-Leão. Da mesma forma, a mulher segue o padrão
dos gêneros passivos, e tem por objetivo assegurar a segurança de sua prole e a
sua própria também.
Daí vem a resposta para a grande
aflição de apaixonados do mundo inteiro, pois a espécie humana atingiu um grau
de desenvolvimento em que busca racionalizar quase todas as questões, e isto se
torna um problema quando se trata do amor. Pois o amor é instinto, busca interesses e faz parte da memória evolutiva de todas as espécies, inclusive a
nossa. Evolutivamente, para o ser humano, o sexo oposto é útil. E pense bem, tudo aquilo que traz utilidade, não carrega o valor final em si mesmo. Assim
como um curso preparatório (útil) que lhe prepara para o emprego (finalidade).
É comum criticar o comportamento
de mulheres que preferem o homem que se destaca e que possui poder financeiro,
fama ou qualquer valor que lhe agregue status e poder. Mas a mulher não o faz
por mero interesse, trata-se de sua inclinação evolutiva que a faz buscar o
macho que garantirá segurança para si e para sua prole. Esta segurança
apresenta-se simbolizada virtualmente na aparente força masculina, sob vários
aspectos, desde o financeiro, emocional e até mesmo físico. Estas mesmas
mulheres também criticam o homem por sua necessidade de relacionar-se com
diversas mulheres, pois para a mulher é um absurdo a maneira como o homem
consegue lidar com a relação sexual. Não precisa haver um passado romântico,
nem mesmo conhecimento prévio, o caráter é praticamente deixado para segundo
plano. Apenas o sexo importa. Esta divergência e crítica mútua provém da crença
errônea de que ambos, isto é, homens e mulheres emocionam-se, atraem-se e
excitam-se de maneira semelhante. Por exemplo, uma jovem que se apaixona,
imagina que os mesmos fatores que despertaram sua paixão poderão despertar a
paixão no homem, e vice versa. Isto é um erro. Se os gêneros buscam interesses
distintos, observarão aspectos distintos.
Porém, o grande fato é que se
toda esta atração é um proveniente instintivo, não será um caso inédito a
supressão de certas inclinações instintivas indesejadas. O ser humano vem
fazendo isso ao longo de muitos anos para poder viver socialmente. É só
pesquisar sobre o conceito de neurose na psicanálise.

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